Pular para o conteúdo principal

VIVA, PRETA!

 

As ondas do mar iam e vinham e lá atrás estava a cidade iluminada,

 dos meus olhos desciam lágrimas, lágrimas de um cansaço, da constante insegurança que me cerca por todos os lados.

É uma noite bonita em uma cidade bonita que abriga milhares de corações como o meu, desesperados.

A Jesus defensor dos pobres e oprimidos faço meu desabafo:

  Me dê forças para eu continuar para não parar, não desistir do caminho que foi tão árduo para até aqui chegar.

Aqui, aqui eu gosto de lembrar dos que lutaram antes de mim e por mim, por mim e por eles e pelos quais e pelos que viram serei eu persistente, resistente.

Eu sou a menina a menina de cor

A que eles diziam que não chegaria a lugar nenhum

Mas meu bem, eu sair da cozinha e vim recitar!

Eu me levanto para também levantar!

O conhecimento é a bomba que desejo que explodir!!!

Por mim, para os meus.

Choro olhando uma cidade construída, divida, enriquecida e miserável

Choro vendo um país que parece cada dia mais se afundar no mar dos seus opressores.

Choro, choro e choro! Mas, limpo minhas lágrimas por cada mulher que é violentada, por cada criança que violada, por cada irmão e irmã que é escravizado.

A minha tristeza é combustível, o meu choro regar os meus pés,

as amordaçam não me calam, as correntes não fazem a minha alma preta prisioneira.

Eu sou guerreira!

Mulher preta, uma das centenas de Dandara que temos por aqui.

Que não vou desistir, que não vão se entregar.

 Viva a mulher preta, Viva eu, Viva você.

Viva o nosso povo!

Não ao genocídio.

Eles acharam muita forma de nos matar, nós estamos dando as mãos para continuar a sobreviver.

Viva, vida.


Fernanda Araújo

Postagens mais visitadas deste blog

Poema metamorrosa: a máquina-flor  Me contorço Me distorço Cresço Desço Pereço Para que só ao fim possa dizer: floresço                                                                                                            Sara Nascente da Silva

Série "Medusas'' - Gabi Assunção

"G abrieli Gonçalves Assunção Andrade (Gabi). Natural de Atibaia, interior de São Paulo, 25 anos. Formanda do curso de bacharelado em Artes Visuais pela Universidade Federal do Rio Grande (FURG)." "Parafraseando a artista Vita da Silva "travestis não são geradas em nove meses" e respondendo a a obra "Se a arte fosse travesti"  da também artista, Rosa Luz, a arte de ser travesti é uma síntese da minha construção enquanto uma artista travesti, preta, e pobre, refletida nas minhas produções artísticas dos  últimos 6 anos. Sendo uma travesti atravessada  por varias opressões só me resta transforma  minhas narrativas e vivências  em arte, afim de de problematiza, a sociedade, racista, machista, LGBTfóbica, misógina  e classicista." Série: Medusas Gabi @artistagabi

Vídeo com a leitura dos poemas Para todas as meninas e menina de Conceição Evaristo

  Observa-se que a pauta coletiva alcança  igualmente   para além da  individualidade   a personalidade. Somos únicas, somos marcadas por histórias únicas e ao  olhar   para o  passado , nos deparamos  simultaneamente com   o  histórico   que constrói , edifica e compreende tudo o que somos hoje. Entendemos  não   o  íntegro   e o todo,  mas como diria Lubi Prates,  “ somos filhos da África e tudo que contamos através dos nossos corpos fala sobre nós, mas no profundo da memória guarda nossos ancestrais. ”                                                                    Sara Nascente da Silva.