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Vídeo com a leitura dos poemas Para todas as meninas e menina de Conceição Evaristo

 



Observa-se que a pauta coletiva alcança igualmente para além da individualidade a personalidade. Somos únicas, somos marcadas por histórias únicas e ao olhar para o passado, nos deparamos simultaneamente com histórico que constrói, edifica e compreende tudo o que somos hoje. Entendemos não íntegro e o todo, mas como diria Lubi Prates, somos filhos da África e tudo que contamos através dos nossos corpos fala sobre nós, mas no profundo da memória guarda nossos ancestrais.” 


                                                                  Sara Nascente da Silva.

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Série "Medusas'' - Gabi Assunção

"G abrieli Gonçalves Assunção Andrade (Gabi). Natural de Atibaia, interior de São Paulo, 25 anos. Formanda do curso de bacharelado em Artes Visuais pela Universidade Federal do Rio Grande (FURG)." "Parafraseando a artista Vita da Silva "travestis não são geradas em nove meses" e respondendo a a obra "Se a arte fosse travesti"  da também artista, Rosa Luz, a arte de ser travesti é uma síntese da minha construção enquanto uma artista travesti, preta, e pobre, refletida nas minhas produções artísticas dos  últimos 6 anos. Sendo uma travesti atravessada  por varias opressões só me resta transforma  minhas narrativas e vivências  em arte, afim de de problematiza, a sociedade, racista, machista, LGBTfóbica, misógina  e classicista." Série: Medusas Gabi @artistagabi
Poema metamorrosa: a máquina-flor  Me contorço Me distorço Cresço Desço Pereço Para que só ao fim possa dizer: floresço                                                                                                            Sara Nascente da Silva

Pretobrancopretobrancopretobrancobrancopretopretobranco...

Assim estavam naturalmente pintados os fios de cabelo na sua cabeça sexagenária enquanto preparava o café naquela tarde fria. A pequena mesa oval estava coberta por uma toalha branca e sobre ela as duas xícaras colorex, em tom pálido, aguardavam pelo líquido quente e perfumado.   Para acompanhar o café, alguns sonhos fritavam no óleo bem quente e viravam-se sozinhos para dourarem por igual. No prato ao lado, uma boa porção de açúcar, canela em pó e chocolate aguardava para entrar em ação e envolver os sonhos cada um no seu tempo, talvez imaginando seus momentos: o café, os sonhos e a mistura açucarada. Conversávamos a respeito de muitas coisas e, também, sobre os nossos sonhos e lembro, ainda, que os seus joelhos eram negros num tom muito diferente da pele do seu corpo: marcas de uma vida toda subjugada, desde menina, trabalhando como doméstica e ajoelhada limpando o chão de muitas casas por onde passou. Costumava comprar produtos manipulados nas farmácias com o intuito de melh...